No dia em que nós gaúchos comemoramos uma revolução que não deu certo, onde os exércitos revolucionados foram derrotados, e sendo que nessa revolta não estavam em jogo nobres ideais libertários, e sim interesses burgueses meramente latifundiários, faço uma reflexão. Sabemos da história. Dos reais motivos. Motivos nem um pouco nobres, tais como foram os dos negros sul-africanos na sua luta por liberdade, esses sim movidos por um ideal. Mas, enfim, não se trata da única transfiguração da realidade que se tem notícia. Também é dessa forma que ocorreu a mitificação de Tiradentes, da necessidade de criação de um herói brasileiro. Um herói cuja imagem guardada para a posteridade em nada tem a ver com o real Tiradentes. O que falar da Igreja Católica e todas atrocidades por ela cometidas? Mas enfim, são exemplos mostrando que cada fato histórico tem três versões: a do vencedor, a do perdedor e a real.
Mas voltando ao início da conversa. Sou assumidamente patriota e bairrista. Orgulhoso do meu torrão gaúcho. E da minha pátria verde e amarela. Entendo ser positivo preservar tradições, passa-las de geração em geração. Cantar essas tradições em prosa e verso, quaisquer que sejam. E mesmo assim, é possível cada dia mais nos tornarmos cidadãos do mundo. No meu modesto e desimportante entendimento esse sentimento de orgulho pela pátria faz falta ao restante do Brasil. Não sou orgulhoso da minha terra porque aqui houve uma revolução contra o Império, pois sei dos reais motivos que levaram ao fato. Não porque as pessoas daqui sejam melhores, ou muitas se digam melhores. Talvez nem saiba explicar o porquê desse sentimento. Haverá quem considere isso algo idiota, inútil. Se houver, respeitarei a opinião.
Tenho o viés positivo disso tudo. Gosto do meu chão, gosto das pessoas da minha terra, do jeito de viver. Não levo isso ao extremo em que gere atritos, que cause ódio, brigas.
Discordo dos que entendem que teria sido melhor pra o Rio Grande do Sul ter-se tornado um país independente. Seríamos somente mais um país minúsculo, empobrecido, com população envelhecida, e dependente de ajudas externas.
Mas enfim, voltando ao bairrismo. Esse orgulho que nós gaúchos nutrimos pelo nosso pago deveria ser copiado pelo restante dos brasileiros. Na hora da execução do Hino Nacional. De respeitar os símbolos pátrios. De falar bem do país quando se vai ao exterior. Temos problemas sim, mas que nação não os têm? O caminho para diminuí-los ou saná-los? Está nas mãos e ações de cada um.
Abraço aos que tiverem a paciência de ler isto até o final...
Nenhum comentário:
Postar um comentário