Já faz algum tempo em que li um crônica do sempre genial David Coimbra, em que o mesmo dizia ser inútil qualquer tipo de fanatismo, seja político, religioso, e principalmente, por um clube de futebol. Confesso eu no momento não gostei do que li, mesmo sabendo ser aquela a mais pura verdade... E eis que, passados alguns meses, vendo o que ocorre no meu amado Inter, que nos últimos nos vem me dando imensas alegrias, embora também algumas gigantescas tristezas, clube do meu coração para sempre amém, e também no respeitável rival tricolor, me resta dar total e irrestrita razão ao David...
Na verdade, quem é torcedor apaixonado por um clube, tal como eu sou, seja qual for, é um babaca... Lá é uma briguinha de vaidades, onde o método "cudum" é o que mais se vê. E nós, os babacas, não ganhamos nada com isso.
Assim como milhões de colorados, cresci idolatrando o Falcão, a quem nem vi jogar. Meus amigos gremistas idolatram o Renato, tanto os que viram quanto os que não o viram em ação. São eternos, e gostem ou não alguns dirigentes, tem brilho próprio, estão hoje acima dos erros e acertos de dirigentes incompetentes, que montam equipes fracas, contratam jogadores “cartas marcadas” de empresários “amigos”, e chamam esses ídolos para tirar o foco da falta de qualidade dos respectivos times...
Infelizmente, ou felizmente sei lá, existem os milhões de trouxas como eu, independente da bandeira. Vamos aos estádios, sob sol, chuva, passando frio, sentados no cimento gelado em uma noite tão gelada quanto. É o que faz com que, no estádio ou no bar, na hora do gol, abracemos o cidadão ao lado, completamente desconhecido, com o mesmo ou até maior fervor do que ao abraçarmos um irmão.
Todos movidos simplesmente pela paixão por algo tão... Inútil.
Aprendemos a gostar de futebol com os nossos pais, que por sua vez aprenderam com os nossos avôs, e assim por diante. Em qualquer canto do mundo, é fácil encontrar um guri com uma bola, seja nova, velha, de meia, improvisada da forma que for... É talvez o esporte mais democrático que existe. Une ricos e pobres, não rejeita raças ou religiões. É um dos poucos, talvez o único, em que nem sempre o melhor vence. Por essas razões e por tantas outras mais, APAIXONANTE.
No entanto, tratando-se da paixão por um clube, infelizmente, hoje, tudo é um grande negócio. Qualquer um sabe disso, não quero aqui ser o pai dessa “brilhante” conclusão. Dinheiro, fama, poder... Igualzinho a qualquer outro negócio, à política, à máfia Siciliana... Tudo movido por bilhões de dólares e de idiotas ao redor do mundo...
Enfim, mesmo com tudo isso, posso estar p# da vida agora, mas domingo vou vestir meu manto sagrado, tal qual como para qualquer torcedor de outro clube é sua camiseta, torcendo um tanto que incrédulo para que o Fernandão tenha sucesso, que endireite o meu colorado, e que o mais rápido possível eu possa estar pensando que escrevi uma tremenda bobagem nas linhas acima, e inutilmente, pois isso em nada melhora a minha vida, comemorando uma vitória, um título qualquer...