sábado, 20 de agosto de 2011

MEU PAI, A LEITURA E O SENSO CRÍTICO

Formamos um país que lê pouco. Isso é fato. É estatística. Dias atrás li uma matéria no jornal O Informativo, onde era relatada uma iniciativa da Unimed Lajeado de deixar 150 livros (se não me engano é esse o número) “perdidos” em vários locais da cidade, com uma mensagem tal como “Oi, sou um presente para você. Obrigado por me levar para sua casa”. Louvável iniciativa. No entanto, alguns dias após, fui à Feira do Livro, também em Lajeado, em pleno sábado à tarde, e lá estavam pouco mais que três dezenas de pessoas, onde eu esperava ver centenas. Pouquíssimo. Triste.
A leitura, mais que qualquer outra atividade, desperta a imaginação, e, acima de tudo, o senso crítico. Sem contar o fato de ser a leitura o único meio de se aprender a escrever corretamente. Lendo jornais, principalmente os regionais e locais, tais como os da minha cidade, faço a triste constatação de que, infelizmente, todas as estatísticas alertando para o fato de o brasileiro não ser um leitor assíduo são verídicas, reais, praticamente palpáveis. Erros primários de português, textos estruturados tais como redações de quarta série do ensino fundamental e sem a mínima concordância verbal são o que há de mais comum. Consequência de estudantes que quase nada leram durante seu processo de alfabetização.
Tempos atrás, quando ainda morava em Garibaldi, chamou-me a atenção o título de uma matéria em um dos jornais locais, dizendo que Garibaldi possuía 1,6 veículos por habitante. Mesmo tratando-se de umas regiões mais ricas do país, pareceu-me ser improvável a veracidade desse número. Ao ler a matéria, constatei que se tratava de algo como 30.000 habitantes e 18.000 carros, ou seja, cerca de 0,6 veículos por habitante. Mas a conta feita ao contrário, usando os fatores trocados, chegava ao número absurdo do título.
Na empresa onde trabalhei até poucos dias, há regularmente a circulação de um e-mail de comunicação interna, dando conta do que ocorre na companhia. Por duas vezes na mesma semana, li que iniciativas de determinadas áreas estavam indo “de encontro” a determinada necessidade. Na segunda vez, senti-me obrigado a enviar um e-mail à pessoa responsável explicando as diferenças entre “de encontro” e “ao encontro”.
Claro que eu cometo meus erros, principalmente no meu português falado. É cultural “comermos” os erres e os esses ao final das palavras. Ninguém é perfeito e nem tem a obrigação de ser. Mas de pessoas que se dispõe a escrever algo para que os outros leiam, presume-se que o mínimo exigido seja um bom português. Aqui nesse humilde blog já cometi erros os quais corrigi depois, ao constatá-los, o que obviamente não se faz possível em um veículo de comunicação impresso.
Mas voltando das voltas, redundantemente mesmo, e retomando o foco inicial do tema que me propus a compartilhar com vocês, centrado no fato de nós, brasileiros, lermos pouco, temos o fato de que a leitura desperta o senso crítico, a imaginação, aguça a curiosidade, melhora o raciocínio. Europeus leem muito. Americanos, japoneses e coreanos idem. É essa a explicação para a diferença social e econômica do nosso país comparada como os países deles ? Certamente não é a única, mas parte da diferença passa por aí. Alguém poderá dizer que a Europa e Estados Unidos estão em crise e o Brasil em crescimento. Sim, é verdade, mas isso é muito mais devido a fatores tais como envelhecimento de populações, saturação de modelos econômicos e à nossa forma de crescimento, em que se analisarmos a origem de determinados números, ao invés de orgulhosos, ficaremos sim preocupados.
Chineses e indianos leem. E muito. São os dois países que mais formam engenheiros, profissionais fundamentais no crescimento de qualquer nação. Ler leva ao interesse pelas inumeráveis áreas de estudo. Dá-nos consciência, sobretudo política. Adquiri esse hábito vendo meu saudoso pai, homem a quem a vida oportunizou somente o estudo até a quinta serie primária, mas extremamente culto. Agricultor em Roca Sales com gosto por música clássica. Homem que passou praticamente toda sua vida na nossa pequena cidade, mas apto a tratar de qualquer assunto, porque lia muito. Homem que, na minha infância, nunca deixou de presentear-me com um gibi, mesmo quando a situação financeira estivesse longe de ser minimamente confortável, dizendo que o que quer que eu fosse ler, despertaria meu gosto por estudar. Homem esse que morreu pobre financeiramente, mas rico de alma. Que me ensinou a ser correto, que temos que ter ideais. E a lutar por eles.
Com isso percebi que não posso votar em Sarneys e Tiriricas. Lendo muito, tive certeza disso. Lendo mais, aprendi a ter propósitos. E percebi que há situações que podem ser melhoradas com boa vontade e cooperação. Palavra essa cujo significado poderia mudar o mundo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Verbo


Quem me conhece sabe que sou um tanto quanto idealista. Sou daqueles que pensam que o mundo ainda tem jeito. Sonhador. Romântico. Posso não ser politicamente correto o tempo inteiro, tenho um caminhão de defeitos, erro para com as pessoas, meto os pés pelas mãos seguidamente, sou impaciente, quero as coisas pra ontem, principalmente no “mundo corporativo”, o grande mal da humanidade, com o qual somos obrigados a conviver.
Mas, voltando ao ponto de partida, sou daqueles que pensam que as pessoas devem ser comprometidas com o que se propõe a fazer. Sou dos que entendem que se deve procurar fazer o bem. Sou dos que devolvem troco que me é dado a mais. Levanto para dar lugar a um idoso no ônibus. Dos que param o carro para o pedestre cruzar a rua na faixa de segurança (e que entende que o pedestre deva atravessar justamente nesse local). Sou da minoria doadora de sangue. Sou doador de medula. Mesmo sendo senso comum o velho bordão “todo mundo tem seu preço”, sou dos que entendem que as coisas não são bem assim, e não necessitam ser dessa forma. Apesar disso, sinto que faço muito pouco, que poderia fazer mais.
Sou dos que entendem a diferença entre dividir e compartilhar. Sobre compartilhar, aliás, certa vez li em algum lugar e salvei o texto que segue, sabia que um dia poderia compartilhá-lo com alguém:
Compartilhar. Verbo complicado. Há tempos as pessoas em geral não compartilham coisas no sentido amplo do termo. "As pessoas se conhecem, se reconhecem. Perdem-se de vista e perdem-se novamente. Procuram-se e separam-se no turbilhão da vida". Confesso que, ultimamente, tenho sentido falta de compartilhar com alguém especial as coisas simples da vida. Porque um carinho, qualquer que seja, transforma o dia, a noite, invade a vida da gente. Eis que surgem coisas lindas através dele: ele salva, muda as rotas, evita colisões, abre portas, transcende espaço e tempo. Eu quero...
Tenho o sentimento de ser um privilegiado por ter ao meu redor pessoas com as quais posso compartilhar os momentos bons, minhas ideias e meus ideais. Tenho a sensação de que cada dia mais encontro pessoas com quem compartilhar essas ideias e ideais. Tenho conhecido gente do bem. Tenho encontrado pessoas que me permitem continuar sendo idealista, romântico e sonhador. Tenho o sentimento de que o mundo tem jeito... Oxalá mais pessoas compartilhem desse sentimento.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

INUTILIDADE APAIXONANTE

Já faz algum tempo em que li um crônica do sempre genial David Coimbra, em que o mesmo dizia ser inútil qualquer tipo de fanatismo, seja político, religioso, e principalmente, por um clube de futebol. Confesso eu no momento não gostei do que li, mesmo sabendo ser aquela a mais pura verdade... E eis que, passados alguns meses, vendo o que ocorre no meu amado Inter, que nos últimos nos vem me dando imensas alegrias, embora também algumas gigantescas tristezas, clube do meu coração para sempre amém, e também no respeitável rival tricolor, me resta dar total e irrestrita razão ao David...

Na verdade, quem é torcedor apaixonado por um clube, tal como eu sou, seja qual for, é um babaca... Lá é uma briguinha de vaidades, onde o método "cudum" é o que mais se vê. E nós, os babacas, não ganhamos nada com isso.

Assim como milhões de colorados, cresci idolatrando o Falcão, a quem nem vi jogar. Meus amigos gremistas idolatram o Renato, tanto os que viram quanto os que não o viram em ação. São eternos, e gostem ou não alguns dirigentes, tem brilho próprio, estão hoje acima dos erros e acertos de dirigentes incompetentes, que montam equipes fracas, contratam jogadores “cartas marcadas” de empresários “amigos”, e chamam esses ídolos para tirar o foco da falta de qualidade dos respectivos times...

Infelizmente, ou felizmente sei lá, existem os milhões de trouxas como eu, independente da bandeira. Vamos aos estádios, sob sol, chuva, passando frio, sentados no cimento gelado em uma noite tão gelada quanto. É o que faz com que, no estádio ou no bar, na hora do gol, abracemos o cidadão ao lado, completamente desconhecido, com o mesmo ou até maior fervor do que ao abraçarmos um irmão.

Todos movidos simplesmente pela paixão por algo tão... Inútil.

Aprendemos a gostar de futebol com os nossos pais, que por sua vez aprenderam com os nossos avôs, e assim por diante. Em qualquer canto do mundo, é fácil encontrar um guri com uma bola, seja nova, velha, de meia, improvisada da forma que for... É talvez o esporte mais democrático que existe. Une ricos e pobres, não rejeita raças ou religiões. É um dos poucos, talvez o único, em que nem sempre o melhor vence. Por essas razões e por tantas outras mais, APAIXONANTE.

No entanto, tratando-se da paixão por um clube, infelizmente, hoje, tudo é um grande negócio. Qualquer um sabe disso, não quero aqui ser o pai dessa “brilhante” conclusão. Dinheiro, fama, poder... Igualzinho a qualquer outro negócio, à política, à máfia Siciliana... Tudo movido por bilhões de dólares e de idiotas ao redor do mundo...

Enfim, mesmo com tudo isso, posso estar p# da vida agora, mas domingo vou vestir meu manto sagrado, tal qual como para qualquer torcedor de outro clube é sua camiseta,  torcendo um tanto que incrédulo para que o Fernandão tenha sucesso, que endireite o meu colorado, e que o mais rápido possível eu possa estar pensando que escrevi uma tremenda bobagem nas linhas acima, e inutilmente, pois isso em nada melhora a minha vida, comemorando uma vitória, um título qualquer...